O ÚLTIMO ERMITA DA ARRÁBIDA


Vive há 20 anos 'feliz' e 'livre' numa gruta na Arrábida

Quando há 20 anos se mudou de malas e bagagens para uma gruta na serra da Arrábida, a cerca de dois quilómetros do centro de Sesimbra, Jorge Cajica Leandro estava longe de imaginar que aquela iria ser a sua casa para o resto da vida. Duas décadas depois, o eremita mais célebre da vila fala orgulhoso da cavidade onde vive, ao lado dos seus cinco gatos.

Para lá de uma cortina de panos e de uma pequena porta, com o número 69, há um rol de caixotes e de ferro-velho a perder de vista. Centenas de peças encontradas no mato ou oferecidas. "Aceito tudo e não atiro nada fora. Mas tenho aqui tudo para ser feliz. É por isto que na vila têm inveja de mim, porque sou livre."


A rádio toca durante todo o dia. Jorge Leandro mal se consegue movimentar entre tantos caixotes e não é fácil a um estranho perceber o que está no interior da gruta. Mas sempre dá para ver que tem fogão a petróleo e muitas mantas para se esconder do frio do Inverno. Não tem televisão, nem quer. Também não tem água canalizada, nem electricidade. Mas diz que ainda gostava de ter um frigorífico para conservar o peixe. Até aqui, limita-se a temperá-lo com sal, tendo de o fritar quase de imediato - sobretudo no Verão - para que não se estrague.


"Isto tem 30 metros de comprimento. Precisava de um ano para arrumar tudo. Mas fica mesmo assim." A roupa que traz no corpo já precisa de lavagem. Contudo, o cabelo está bem aparado. A barba é de três dias, mas há-de ser desfeita antes de ir à vila no dia seguinte. Há vários dentes em falta. Ao pescoço pendura um fio de cabedal com um crucifixo e usa a navalha bem afiada na mão, como uma companheira inseparável.


"Ia agora amanhar os carapaus para o jantar. Como peixe como quem come carne. É quase todos os dias", revela com a certeza de que o segredo da sua "boa forma" aos 74 anos está alicerçado na opção que fez de vida a partir dos 50 anos. "O tabaco também ajuda, mas o ser livre aqui e ter deixado de trabalhar é que foi o segredo. Por isso é que são as invejas. Eu sou livre e eles têm as mulheres, os filhos, os enteados e os primos. É só chatices para darem cabo dos nervos. O pessoal a partir dos 40 anos já está cheio de doenças."


Jorge ainda chegou a namorar com uma mulher de Setúbal, mas nunca quis ouvir falar em casamento. "Não tinha vida para ficar preso a mulheres, filhos e família", reconhece, embora fale com frequência do sobrinho, que costuma ir à gruta entregar-lhe o dinheiro da reforma e peixe. Na vila ainda tem um irmão e uma sobrinha, com quem mantém pouco contacto nos últimos anos. Não resiste a desfazer a barba e a tomar um bom banho - com a água que vai buscar a um fontanário próximo da gruta - e vestir a sua melhor roupa para dar um passeio a Sesimbra. "No Verão gosto muito de lá ir ver as mulheres na praia, sem a parte de cima, está a perceber? Lá nisso, os tempos de hoje são muito bons."


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