Castelo do Rei do Lixo



Um nome estranho para um castelo estranho de um homem estranho. É conhecido, entre várias designações, por Castelo do Rei do Lixo ou Palácio do Rei do Lixo.


A história do Castelo do Rei do Lixo é só uma desculpa para falarmos de quem interessa, o Rei do Lixo, homem caricato e provocador: Manuel Martins Gomes Júnior.

Manuel Martins Gomes Júnior, o Rei do Lixo


Manuel Martins Gomes Júnior era um homem insólito, vindo de baixo, numa altura em que ser pobre significava ser-se ainda mais pobre do que os pobres de hoje, arranjou maneira de ir subindo degraus na escada social. Talvez por isso, por saber o difícil que era nascer-se fora do sítio certo, era um convicto republicano, numa altura em que a Monarquia ainda durava neste país, embora constantemente ameaçada e já à espera de lhe tirarem o tapete por baixo dos pés.

Era um homem de contradições, um defensor dos pobres que queria ser muito rico, um bom patrão que foi inclemente com alguns dos seus trabalhadores, um crítico da corrupção nacional que foi acusado de dar uma golpada numa companhia de seguros, um republicano que se desiludiu com a República.


Ele foi isto e muito mais e numa mistura de sorte com perícia, e de instinto com manha, fez na margem sul do Tejo um edifício cujos adjetivos com que é anunciado podem bem ser os mesmos que os que caracterizam o homem que o pensou.



De miúdo pobre a homem rico


Há coisas que parece fazerem parte da genética de alguém, para muitos, ser-se empreendedor não é uma questão de esforço mas de perfil – há quem nasça para isso, e há quem não nasça para isso, tendo ou não suporte financeiro.


Se de facto há qualquer coisa de inato nisto de alguém, contra todas as circunstâncias, fazer de si mesmo empresário, um self made man na feliz descrição anglo-saxónica, o melhor exemplo disso é Gomes Júnior.


Foi ganhando para investir, ganhando daí mais e investindo ainda mais, começou numa mercearia e daí fez aquilo que em gestão se chama uma integração a jusante, passando a ser fornecedor de si próprio com a compra de um moinho, isto até que um incêndio (dizem alguns, causado pelo próprio), lhe deu uns bons trocos vindos da seguradora.


Com o dinheiro que o seguro lhe deu, comprou terra. Dedicou-se à agricultura e arrendava partes do seu terreno a quem as quisesse explorar, aqui mostrou ser um despreocupado capitalista, pois àqueles que não conseguiam, por algum momento, pagar o usufruto do seu terreno, Gomes Júnior exigia que pagassem com terra, e assim, conquistando metro quadrado por metro quadrado, foi alargando o seu domínio.


O din